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Rádio Santana FM

Itaúna, 19 de junho de 2021

A violência, geralmente, acontece onde a criança deveria encontrar proteção – Foto Reprodução/ Internet

 

 

 

Minas Gerais registrou 11.253 casos de lesão corporal ou agressão contra crianças e adolescentes de até 17 anos no ano passado, uma média de 30 vítimas por dia, segundo dados da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp).

 

A violência, geralmente, acontece onde a criança deveria encontrar proteção: dentro de casa. Durante a pandemia, a dificuldade de identificação dos casos tem sido maior, de acordo com o subsecretário de Direito e Cidadania de BH, Thiago Alves.

 

“É uma coisa que precisa de uma verificação e de um acompanhamento da criança para identificar, mas que também contava muito com o apoio familiar extenso ou com o apoio das escolas e dos vizinhos na identificação e na denúncia das violações. O que a gente percebe é que, por estarmos isolados, o único grupo com uma diminuição das notificações de violações de direitos pelo Disque 100 é o de crianças e adolescentes”, afirma.

 

Na última segunda-feira, 26/04, uma menina de 2 anos foi agredida pelo padrasto em Betim, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Segundo a família, a criança teve uma fratura no crânio e outra no tórax, passou por uma cirurgia e precisou ser intubada. A Polícia Civil abriu inquérito para investigar a tentativa de homicídio, e o suspeito ainda não foi localizado.

 

Em fevereiro, uma criança de 1 ano e 5 meses morreu na Unidade de Pronto Atendimento (Upa) Leste, na capital, com vários traumas e hematomas pelo corpo. A mãe e o padrasto foram presos suspeitos de agressões e maus tratos contra o menino.

 

No início deste mês, a Polícia Civil abriu inquérito para investigar as agressões sofridas por um menino de 4 anos, no bairro Nova Gameleira, na Região Oeste da capital. A principal suspeita é a irmã dele, de 15 anos, que também era vítima de violência. Segundo a polícia, ela era abusada pelo próprio pai e tinha um filho com ele.

 

Em casos como estes, em que a criança não encontra proteção familiar, o Conselho Tutelar assume um papel importante.

 

“Se uma criança sofre uma violação grave e precisa ir para o hospital, a polícia precisa ser chamada, esses lugares vão acionar o Conselho Tutelar. Às vezes, as pessoas têm medo do Conselho Tutelar, mas ele vai buscar aquilo que é melhor para a criança e a forma de protegê-la”, afirma Thiago Alves.

 

A agressão é um tipo de violação dos direitos de crianças e adolescentes e, muitas vezes, exige atitude da própria vítima de romper o silêncio. Para a coordenadora estadual de direitos das crianças e dos adolescentes, Eliane Quaresma, a comunidade e os serviços de saúde devem manter um olhar vigilante.

 

“Ainda apostamos nesta orientação para que a criança desenvolva esse autocuidado, identificando, no seu núcleo familiar ou fora dele, pessoas da sua relação com quem ela possa falar sobre isso”, conclui Eliane.

 

 

Por G1