Agosto Dourado: Saúde reforça importância da amamentação

6/08/2023 | Minas Gerais

A amamentação favorece um contato mais íntimo entre a mãe e o bebê – Foto Renato Cobucci / Imprensa MG

 

 

O Agosto Dourado, mês de conscientização sobre a importância do aleitamento materno, já faz parte do calendário de ações da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig).

 

Neste período, as quatro maternidades da fundação (Odete Valadares e Hospital Júlia Kubitschek, em Belo Horizonte, Hospital Regional João Penido, em Juiz de Fora e Hospital Regional Antônio Dias, em Patos de Minas) intensificam as atividades relacionadas às boas práticas de incentivo à amamentação, alimentação exclusiva até o sexto mês de vida do bebê – e se estendendo até os 2 anos ou mais de idade, assim como a orientação sobre hábitos saudáveis e de nutrição adequada nessa fase.

 

A Fhemig também promove, de 1 a 7/8, a 32ª Semana Mundial do Aleitamento Materno (Smam) 2023, com slogam “Apoie a amamentação: faça a diferença para mães e pais que trabalham”. O tema aborda a licença remunerada e busca estimular o apoio nos locais de trabalho para facilitar que as funcionárias amamentem.

 

As maternidades da Rede Fhemig são reconhecidas pelas ações pró-amamentação, possuem Comitês de Aleitamento Materno e disponibilizam alojamentos com equipes multidisciplinares, que auxiliam os pais nas dúvidas, medos e tabus em relação ao aleitamento materno, além de instruírem no manejo correto para amamentar e ministrarem cursos para mães que voltarão a trabalhar. As unidades também têm postos de coleta para mulheres captarem leite materno excedente, gesto que garante o alimento para bebês prematuros internados. A Maternidade Odete Valadares (MOV), em BH, é um dos mais importantes Bancos de Leite (BLH-MOV) do estado.

 

Curso da Gestante

 

Maternidades da Rede Fhemig são referência no auxílio às mães  – Foto Fhemig / Divulgação ; Daise Mara e Maria

 

Iniciativa da maternidade do Hospital Júlia Kubitschek (HJK) é promover, mensalmente, o Curso da Gestante no ambulatório de Saúde da Mulher, com palestras de profissionais diversos sobre temas e conhecimentos que irão beneficiar o aleitamento e a saúde da gestante, puérpera e bebê. Na mesma unidade, a Casa da Gestante, também existente nas outras maternidades, recebe grávidas de alto risco e mães com seus bebês internados na UTI Neonatal.

 

“O apoio continuado é oferecido a essas mulheres não apenas com suporte de abrigo e alimentação, mas com acompanhamento especializado. As gestantes são abordadas e recebem todo o incentivo para a amamentação no pós-parto, e as puérperas são incentivadas a permanecer na Casa da Gestante como forma de contribuir para o aleitamento, realização do método canguru (assistência neonatal, baseada no contato pele a pele de mãe e bebê), diminuição do tempo de internação hospitalar e saúde do bebê de forma geral”, detalha a coordenadora da Maternidade do HJK e do Comitê de Aleitamento Materno, Gerusa Flávia.

 

Além disso, por ser um momento delicado para essas famílias e bebês, que muitas vezes permanecem por tempo prolongado na neonatologia, as mães podem apresentar fragilidade, cansaço e estafa. “Para apoiar neste sentido, existe uma equipe de serviço social e psicologia, que contribui para que as mães permaneçam na casa até a alta do bebê”, completa Gerusa.

 

Informação e construção da rede de apoio

 

De acordo com a psicóloga e coordenadora do BLH-MOV, Hercília Barbosa, o aleitamento materno tem relação direta com o apoio que as mulheres recebem desde o pré-natal.

 

“Quando a mãe engravida, é importante que os profissionais de saúde já mostrem para ela formas de continuar a amamentação depois do retorno ao trabalho. A gestante deve começar a estabelecer desde então sua rede de apoio, para que a amamentação seja um sucesso e o processo tranquilo”, afirma Hercília.

 

Desde a gravidez, a mulher também deve ser informada corretamente sobre a amamentação, para se blindar de crenças populares e palpites que costumam aparecer depois que os bebês nascem.

 

“As mães saem das nossas maternidades com as melhores informações, mas a continuidade do aleitamento materno também depende de uma rede de conhecimento. É preciso fortalecê-la para que elas consigam seguir sem interferências externas, como o uso desnecessário de bicos e mamadeiras, que pode prejudicar o processo de amamentação.”, esclarece a psicóloga.

 

Hercília relembra a importância do apoio da sociedade e de empresas, para que a mãe possa continuar a amamentação após o fim da licença maternidade. Às vezes, os próprios colegas ‘torcem a cara’ porque a mãe vai se ausentar por alguns minutos, o que é muito desestimulante para ela”, avalia a profissional.

 

As quatro maternidades contam com salas de apoio (ou postos de coleta) para uso das mulheres trabalhadoras e que amamentam – uma política de saúde pública do Ministério da Saúde, adotada nas unidades, para que os bebês que estão em casa possam receber o leite apurado no outro dia.

 

Apoio das equipes

 

A enfermeira da MOV, Raquel Oliveira, mãe de uma bebê de sete meses, tem conseguido dar continuidade ao seu processo de aleitamento utilizando a sala de apoio à mulher trabalhadora da unidade. “Considerando que o leite materno é o principal alimento do bebê até um ano de idade, posso manter essa oferta para minha filha mesmo quando estou ausente. E isso só é possível por meio do estoque de leite que consigo produzir nos dias em que trabalho” relata a enfermeira.

 

Raquel destaca o acolhimento da equipe multiprofissional nos momentos de utilização do espaço, com acesso ao material necessário e privacidade para a coleta do leite. “É um processo bem rápido e possível de conciliar com as pausas no trabalho. Sou imensamente grata à toda a equipe do Banco de Leite. Já admirava o trabalho e, agora, ainda mais. A minha experiência tem sido incrível e fico muito feliz em receber tanto apoio na realização desse sonho de amamentar minha bebê”, comemora Raquel.

 

Já a encarregada financeira Daise Mara, de 35 anos, contou com o suporte das profissionais da maternidade do Hospital Regional João Penido (HRJP) para amamentar a filha Maria, que hoje também tem sete meses. A bebê precisou passar por uma frenotomia (cirurgia para corrigir língua presa) para conseguir mamar. “Foi uma grande batalha que precisamos enfrentar logo no início. Eu só chorava e sentia dor”, conta Daise, sobre o difícil início do processo de aleitamento materno.

 

Após o procedimento, Daise e Maria puderam dar prosseguimento à amamentação com sucesso, o que a mãe considera uma grande vitória. “Sou muito grata à equipe do HRJP, em especial às fonoaudiólogas, que foram fundamentais nessa missão linda que está sendo amamentar minha filha. Amamentar é o ato mais sublime de amor entre mãe e filha”, finaliza Daise.

 

Benefícios da amamentação

 

O leite materno é um alimento completo. Isso significa que, até os seis meses, o bebê não precisa de nenhum outro alimento (chá, suco, água ou outro leite).

 

Ele é de mais fácil digestão do que qualquer outro leite e funciona como uma vacina, pois é rico em anticorpos, protegendo a criança de muitas doenças, como diarreia, infecções respiratórias, alergias, além de diminuir o risco de hipertensão, colesterol alto, diabetes e obesidade.

 

A amamentação favorece um contato mais íntimo entre a mãe e o bebê. Sugar o peito é um excelente exercício para o desenvolvimento da face da criança, ajuda a ter dentes bonitos, a desenvolver a fala e a ter uma boa respiração.

 

Para a mãe, amamentar também traz uma série de benefícios: diminui o sangramento no pós-parto, acelera a perda de peso, reduz a incidência de câncer de mama, ovário e endométrio, evita a osteoporose e a protege contra doenças cardiovasculares, como o infarto.

 

 

Veja também