Cartas inéditas de Frida Kahlo a amante vão a leilão em Nova York

7/04/2015 | Giro Cultural

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“Não sei escrever cartas de amor. Mas queria dizer que todo o meu ser se abriu a você. Desde que me apaixonei, tudo se transformou e está cheio de beleza… Amor é como um aroma, como uma corrente, como chuva. Você sabe, meu céu, você chove em mim e eu, como a terra, recebo você.”

A carta acima, enviada pela artista mexicana Frida Kahlo (1907-1954) em outubro de 1946 para seu amante em Nova York, o artista refugiado espanhol José Bartoli (1910-1995), é uma das várias que ela escreveu durante seu casamento com o pintor Diego Rivera (1886-1957) e que permanecem inéditas.

No próximo dia 15, esta e outras 24 missivas, todas com algo entre 2 e 12 páginas, serão negociadas em um leilão de livros raros, mapas e autógrafos na Doyle, em Nova York.

Num momento em que a produção da artista está em grandes mostras em Detroit e em Nova York, o conjunto promete se tornar o principal atrativo do leilão, chegando a alcançar US$ 120 mil (cerca de R$ 380 mil), na estimativa dos leiloeiros.

Kahlo conheceu Bartoli em Nova York, em 1946, quando tinha 39 anos e foi à cidade para uma cirurgia -decorrência do acidente de ônibus que sofreu aos 18 anos e que a deixou parcialmente paralisada e com dores pelo resto da vida.

Até 1949, já de volta à Cidade do México e casada com Rivera, ela escreveu cerca de cem páginas de correspondência poética para Bartoli.

Com desenhos e fotografias, as cartas trazem novas informações sobre a paixão de Kahlo por Bartoli, uma gravidez desconhecida, sua relação com Rivera e seus anseios pessoais e profissionais. Também jogam luz sobre uma das pinturas mais conhecidas de Kahlo, “Árvore da Esperança”, um auto-retrato duplo completado em 1946.

“O arquivo de Frida Kahlo é de enorme importância. Suas cartas a José Bartoli são totalmente novas e inéditas. Elas trazem novidades sobre uma dos artistas mais importantes do século 20, e seu conteúdo certamente levará a novos estudos sobre Frida Kahlo”, disse o especialista responsável pelo leilão, Peter Costanzo, em entrevista ao “Observer”, sobre o acervo, que Bartoli manteve em segredo até morrer, em 1995.

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