Castle – O fim de oito anos muito bem vividos

18/05/2016 | Giro Cultural

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A televisão está cheia de casais que nos irritam e encantam ao mesmo tempo. Alguns sombrios, outros engraçados. Mas poucos souberam nos divertir tão bem quanto Rick Castle (Nathan Fillion) e Kate Beckett (Stana Katic) durante os oito anos de “Castle”. Ele um escritor bem-sucedido de livros de mistério, ela policial em Nova York, os dois se conheceram durante uma investigação em que o assassino copiava crimes dos livros de Castle, e nunca mais se largaram. Ela se tornou a musa inspiradora da nova sequência de livros dele, que continuou como consultor da polícia. Depois de alguns anos, se casaram.

Ele a favor do jeitinho, ela uma eterna seguidora de regras, os dois personagens deram aos atores a chance de se consolidarem na televisão. Para tristeza dos fãs de “Castle”, o último episódio foi ao ar nesta semana nos Estados Unidos. E bota tristeza nisso. Muito ativos nas redes sociais, especialmente no Twitter, o casal “Caskett” está deixando um rastro virtual de lágrimas. No último dia 13, Stana escreveu bilhete de próprio punho, fotografou e postou, com um agradecimento à devoção dos fãs ao longo de “oito anos inesquecíveis”.

Já Fillion anunciou fria e seriamente que a série havia chegado ao fim, agradeceu a todo mundo, mas, minutos depois, soltou dois torpedos ao melhor estilo Castle. “Caro qualquer diretor, parece que tenho uma vaga na agenda”, dizia o primeiro. O segundo foi endereçado aos seus 3,9 milhões de seguidores: “Queridos fãs, em qualquer projeto que eu faça em seguida, observem sonoramente quão versátil e diferente do Castle eu sou”.

Nem precisa dizer quem foi que pediu o divórcio. Stana Katic quis sair – ou, dizem as más línguas, não teria sido sondada para uma nona temporada, ao contrário de seus colegas de elenco. A ABC, primeiro, sinalizou ao próprio Fillion e aos atores Jon Huertas e Seamus Dever que haveria vida sem Beckett. Mas, para os fãs, a jogada não colou. A emissora foi virtualmente bombardeada com mensagens de ceticismo que, traduzidas de vários idiomas, só podiam significar uma coisa: não vai dar certo. E não daria mesmo.

“Hollywood não é fácil”, disse Huertas na mesma rede social. “Tivemos muita sorte de ter a química certa, o amor e o apoio para fazer um programa de sucesso num cenário em que shows muito duradouros são como unicórnios. Então, obrigado aos fãs por terem me dado meu unicórnio particular.”

Ainda que nunca tenha sido uma obra de arte, “Castle” – no Brasil em cartaz pelo AXN – sempre foi aquela série perfeita para um fim de noite casual em frente à TV, com uma combinação de mistério e graça muito bem escrita. Sua fórmula matematicamente calculada (o assassino quase sempre será alguém que apareceu nos primeiros dez minutos do episódio e ficou esquecido praticamente até o final) nunca cruzou a linha que divide o cativante do chato. Melhor terminar dignamente, com um “finale” que faça sentido e esteja à altura da expectativa gerada pelos oito anos anteriores, do que enrolar mais um ano com uma dupla amputada, faltando um pedaço, só para ganhar mais uns trocados. Descanse em paz, “Castle”.

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