Cid tentou vender Rolex recebido em viagem oficial

4/08/2023 | Brasil

Os e-mails não deixam claro quem estava negociando  – Foto Geraldo Magela- Agencia Senado

 

 

Documentos enviados à CPI dos Atos Golpistas no Congresso mostram, segundo parlamentares, que Mauro Barbosa Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro, tentou vender um relógio da marca Rolex recebido em viagem oficial.

 

Os e-mails obtidos pela CPI foram revelados pelo jornal “O Globo” na manhã desta sexta-feira (4). O blog também teve acesso ao material.

 

Durante uma viagem oficial do governo brasileiro à Arábia Saudita, no dia 30 de outubro de 2019, o rei da Arábia Saudita, Salman bin Abduld-Aziz, doou ao então presidente Jair Bolsonaro um conjunto de objetos valiosos. Entre eles, havia um relógio Rolex. Não é possível afirmar que é o mesmo que Cid tentou vender.

 

Em 11 de novembro de 2019, o Rolex que Cid tentou vender foi protocolado no Gabinete Adjunto de Documentação Histórica do gabinete da Presidência da República como “acervo privado”.

 

Nesse mesmo registro, consta uma liberação do relógio no dia 6 de junho de 2022.

 

O destino era o gabinete de Bolsonaro. Quem assina a retirada do Rolex é o tenente Osmar Crivelatti, que fazia parte da ajudância de ordens da Presidência. Quando Bolsonaro deixou o cargo, Crivelatti foi escolhido por ele como um dos auxiliares pessoais a que tem direito como ex-presidente

 

E-mails

 

Também em 6 de junho de 2022, data em que o relógio foi liberado do Gabinete Adjunto de Documentação Histórica, Cid trocou e-mails em inglês para tratar de uma possível venda do relógio por US$ 60 mil (mais de R$ 291 mil).

 

Os e-mails não deixam claro quem estava negociando com o então ajudante de ordens de Bolsonaro. Segundo o relatório, na época, Mauro Cid se correspondia com Maria Farani, que assessorava o Gabinete Adjunto de Informações do gabinete pessoal de Bolsonaro.

 

Maria foi desligada da Presidência da República em janeiro de 2023. Em um dos e-mails obtidos pela CPI, enviado por Maria Farani, a mensagem diz, em inglês (a tradução foi feita pela reportagem):

 

“Olá Mauro, obrigada pelo interesse em vender o seu Rolex. Tentei falar com você por telefone mas não consegui. Pode por favor me falar se você tem o certificado de garantia original do relógio?”

 

“Quanto você espera receber por essa peça? O mercado para Rolex usados está em baixa, especialmente para relógios cravejados de platina e diamante (já que o valor é tão alto). Só queria me certificar de que estamos na mesma linha antes de fazermos muita pesquisa. Espero ouvir notícias suas.”

 

Segundo os documentos obtidos pela CPI, Mauro Cid responde à mensagem de Maria Farani. Nesse caso, o material da CPI não indica o cabeçalho da mensagem (com data e autor), somente o conteúdo:

 

“Olá …, Nós não temos o certificado do relógio, já que foi um presente recebido em viagem oficial de negócios. O que temos é o selo verde de certificado superlativo, que acompanha o relógio. Além disso, posso certificar que o relógio nunca foi usado. Pretendo receber por volta de $ 60.000 pela peça. Agradeço o retorno rápido. Mauro Cid.”

 

O que diz Maria Farani

 

Em nota divulgada após o tema do relógio se tornar público, Farani disse que, a pedido de Cid, pesquisou na internet sobre possíveis compradores. E que, em seguida, apenas reenviou os e-mails para Cid com as respostas.

 

Veja a íntegra da nota:

 

Com relação às informações divulgadas na imprensa acerca do relógio Rolex que o ex-assessor Mauro Cid teria tentado vender, esclareço que:

1. Exercia a função de secretariado executivo no Gabinete Pessoal da Presidência da República.

2. A pedido de Mauro Cid, por falar inglês, realizei uma pesquisa na internet para identificar possíveis compradores de relógio.

3. Apenas enviei os e-mails e, ao receber respostas, retransmiti ao endereço eletrônico de Mauro Cid.

4. Não tive conhecimento do desfecho de uma eventual negociação.

 

* Com informações do G1

 

 

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