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Rádio Santana FM

Itaúna, 14 de junho de 2021

 

 

lavagem dinheiro arte

 

 

A estratégia do ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque de investir em obras de arte parte de sua fortuna para dar uma fachada legal à propina recebida de contratos com a Petrobras é uma prática muito antiga. Durante a Operação Lava-Jato, a Polícia Federal apreendeu com o executivo – acusado de movimentar mais de R$ 70 milhões somente em operações no exterior – cerca de 132 obras de arte. Mas esse acervo pode ser considerado uma mixaria se comparado às 12 mil telas do acervo particular do banqueiro e controlador do Banco Santos, Edemar Cid Ferreira, preso em dezembro de 2006, condenado a 21 anos de prisão por lavagem de dinheiro, crime organizado e formação de quadrilha.

O acervo de Edemar que ornava sua mansão tinha estátuas romanas e tesouros de arte que datam dos séculos 14 a 11 a.C. Havia esculturas, pinturas a óleo, fotografias raras, achados arqueológicos e obras contemporâneas de artistas consagrados. O mais importante, no entanto, para a compra de arte pela criminalidade organizada não é a qualidade da obra, mas o valor que atinge no mercado nacional, em franca expansão, e internacional. Depois de atuar no caso do Banco Santos, o então juiz Fausto De Sanctis – hoje desembargador do Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF3) – também viu parte do dinheiro do crime ser investida em obras de arte pelo megainvestidor Naji Nahas, preso durante a Operação Satiagraha da Polícia Federal, em julho de 2009. Mais modesto, Nahas investiu parte do seu dinheiro em 1.650 peças.

Condenado também num processo presidido por De Sanctis, o traficante internacional Juan Carlos Abadia – um dos chefes do maior cartel colombiano da droga e autor de pelo menos 300 assassinatos – adquiriu 195 obras, apreendidas em 2006, quando ele foi preso em São Paulo. Muito longe de ser um amante das artes, Abadia tinha em seu acervo preciosidades como um quadro do pintor Andreense Luiz Saciolotto (1924-2003), além de pinturas de Miró e Burle Marx. Em 2005, o também banqueiro Salvatore Cacciola foi condenado a 13 anos de prisão por peculato e gestão fraudulenta do Banco Marka. Com ele, a Justiça apreendeu 23 obras de arte do seu acervo, entre elas pinturas e gravuras de Manabu Mabe, Iberê Camargo, Milton Dacosta, Cícero Dias, Antônio Bandera e João Magalhães.