Governo gasta 2 vezes mais com acidentes do que com melhorias na malha viária

27/03/2022 | Minas Gerais

A colisão ainda é o que lidera, com mais da metade dos casos  – Foto DPVAT Divulgação

 

Nas rodovias federais que cortam Minas Gerais, 15,4 mil pessoas morreram em acidentes nos últimos 14 anos. O levantamento feito pela Confederação Nacional do Transporte (CNT), com base em dados da Polícia Rodoviária Federal (PRF), mostra que, de 2007 a 2021, foram registrados 275,5 mil acidentes, sendo 8.309 no ano passado, quando 693 pessoas foram a óbito.

 

Atropelamentos, representaram 5,9% do total de acidentes nas estradas federais em Minas no ano passado. A colisão ainda é o que lidera, com mais da metade dos casos (52,5%) e 57% das mortes.

 

Parte desses problemas que ocorrem em rodovias estaduais e federais poderia não existir se elas estivessem em condições mais adequadas. “As estradas de maior fluxo já deveriam estar duplicadas. Se isso acontecesse, os acidentes frontais, que estão entre os mais comuns, já não ocorreriam mais”, exemplifica o especialista em trânsito Márcio Aguiar.

 

Diretor científico da Associação Mineira de Medicina do Tráfego (AMMETRA), Alysson Coimbra concorda: “São rodovias dos anos 1950 que não passaram por processo de conservação, e hoje a gente paga pela necessidade de reestruturação e adaptação para o atual fluxo de veículos. Os veículos se modernizaram, e os caminhões estão mais pesados, fazendo com a vida útil da malha asfáltica seja cada vez menor. É preciso que haja intervenções em trechos onde há alto índice de colisão, capotamento e saída de pista”, diz.

 

Uma pesquisa da Confederação Nacional do Transporte (CNT) mostrou que o custo estimado dos acidentes em rodovias federais no Brasil chegou a R$ 12,9 bilhões em 2021. O valor é mais do que o dobro do total de R$ 5,76 bilhões efetivamente investido nas estradas federais no ano passado. Se incluídas as vias estaduais brasileiras, o baque financeiro pula para R$ 40 bilhões anuais, segundo o Instituto de Pesquisas Econômicas e Aplicadas (Ipea). Desse montante, a maior parcela (41,2%) é em função da perda de produtividade tanto quando a vítima fica lesionada como quando vai à morte.

 

“Os impactos da perda de produção recaem sobre a Previdência Social e também sobre a família, em função de seu empobrecimento”, explica o instituto no material. O segundo maior custo é o hospitalar, representando cerca de 20% do total. “O Brasil figura entre os países com maior índice de mortes, sequelas, ferimentos e hospitalizações no trânsito, e todo o custeio da cascata infinita de lesões e inoperância do poder público é pago por todos nós. São grandes os gastos do Sistema Único de Saúde com essas hospitalizações e cirurgias. Essa demanda aumentada ocupa leitos e impede que cirurgias eletivas sejam realizadas, reduz as vagas de internação nas UTIs. Temos internações prolongadas, após a alta hospitalar e a necessidade de reabilitação. E, quando essas pessoas não conseguem a reabilitação, elas têm que recorrer ao SUS, seja de forma temporária ou por uma aposentadoria definitiva por invalidez”, explica Coimbra.

 

Por O Tempo

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