Mãe suspeita de torturar e quebrar braços da filha é presa

17/11/2021 | Polícia

A polícia foi acionada, assim como o Conselho Tutelar – Foto ilustrativa

 

 

Uma denúncia feita por médicos da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Oeste de Belo Horizonte botou um ponto final em uma rotina de tortura e agressões que eram cometidas por uma mãe, de 19 anos, contra a própria filha, uma menina de apenas 11 meses. A mulher foi presa pela Polícia Civil na última sexta-feira (12). Pelo menos outras duas pessoas próximas que tinham contato com a criança também estão sendo investigadas.

 

De acordo com a delegada Iara França, no final de setembro deste ano, o pai e a avó paterna deram entrada da menina na UPA. Além de apresentar hematomas, o bebê tinha queimaduras nas mãos e no rosto, os dois braços quebrados, além de um dos fêmures quebrado.

 

“Todo hospital e escola é obrigado a notificar qualquer suspeita de crime sexual ou de agressão contra criança e adolescente. Ela estava com um estado físico lastimável. Corpo todo quebrado e braços quebrados. Uma criança de apenas 11 meses de vida”, explicou.

 

Segundo a Polícia Civil, a mulher morava na região do Barreiro. Quando a história veio à tona, ela precisou fugir de onde morava, porque moradores da região ameaçaram cometer um linchamento contra ela. Ela acabou senda presa na casa da mãe, localizada na Vila Barragem Santa Lúcia, na região Centro-sul da capital Mineira.

 

Após ser presa, a mulher disse aos policiais que a filha teria caído de uma escada de dois degraus e que as queimaduras se deram após a menina ter contato com água quente.

 

“A mãe alegou que ela havia caído de uma escada de dois degraus. De imediato foi constatado pelos médicos que isso não era compatível com as lesões que ela apresentava. Ela disse que a criança teve contato com água quente, mas não sabemos se acidentalmente ou propositalmente”, apontou a delegada. Ao ser presa, a mulher também revelou que estaria grávida novamente.

 

Os exames médicos realizados na criança também sinalizaram que ela vinha sofrendo as agressões desde que nasceu. “Os exames apontaram que essa criança já tinha cicatrizações de lesões muito antigas. Bem como tinha fraturas de características muito recente. Ou seja, foi constato que essa criança era torturada desde que ela nasceu”, disse a delegada Iara França.

 

Após as agressões serem constatadas, a polícia foi acionada, assim como o Conselho Tutelar, que a encaminhou para um abrigo. O pai e a avó materna manifestaram interesse de ficarem com a criança, mas essa decisão vai ficar a cargo da Justiça.

 

“Sugerimos ao juízo que também não dê a guarda para a família paterna, em razão do pai ter um envolvimento muito profundo com a criminalidade então os próximos passos serão decididos pelo judiciário. Como tomamos conhecimento que ela estava grávida no momento da prisão, vamos sugerir ao judiciário que ela tenha a guarda dessa criança destituída, assim que ela nascer”, explicou a delegada.

 

De acordo com a Polícia Civil, o pai da menina agredida tem uma extensa ficha criminal com passagens por roubo e tráfico de drogas.

 

Outro investigados

 

Pelo menos outras duas pessoas também estão sendo investigadas e podem responde juntamente com a mãe da criança pelos crimes de tortura de lesão corporal gravíssima. A investigação apontou que essas pessoas tomavam conta da criança quando a mulher precisava sair para se divertir em bares.

 

“Essas pessoas estão sendo investigadas em razão da omissão e elas vão responder pelos mesmos crimes”, ressaltou.

 

Uma das linhas para a motivação da tortura cometida pela mãe é em razão dela sentir ciúmes do pai da criança. A delegada explica que os dois estavam separados e o homem teria iniciado um novo relacionamento.

 

“Ela tinha muitos ciúmes e para atingir o pai ela agredia a criança e não deixava que o pai tivesse acesso a ela”, finalizou.

 

 

Por O Tempo

 

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