OIT denuncia falta de serviços de saúde para população rural no mundo

1/05/2015 | Mundo

trabalhadores rural acesso saude

 

 

Mais da metade da população rural no mundo – mais do que o dobro do número observado em áreas urbanas – não tem acesso a serviços de saúde, revela relatório da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

“Os resultados são chocantes”, disse a coordenadora da Política de Saúde na OIT, Xenia Scheil-Adlung, durante a apresentação do relatório, que cobre 174 países. “A ausência de cobertura legal, número insuficiente de profissionais de saúde e o financiamento inadequado criaram desigualdades que podem colocar vidas em perigo.”

O relatório é o primeiro de gênero a ser publicado pela OIT e revela grandes disparidades no acesso aos cuidados de saúde entre as áreas rurais e urbanas em todo o mundo, especialmente nos países em desenvolvimento.

O documento mostra que 56{4f38b4b7d8b4b299132941acfb1d57d271347fbd28c4ac4a2917fcb5fee07f0b} das pessoas que vivem nas áreas rurais estão excluídas dos cuidados essenciais de saúde, contra 22{4f38b4b7d8b4b299132941acfb1d57d271347fbd28c4ac4a2917fcb5fee07f0b} das que residem em áreas urbanas.

De acordo com o estudo da OIT, no Continente Africano, 83{4f38b4b7d8b4b299132941acfb1d57d271347fbd28c4ac4a2917fcb5fee07f0b} dos que vivem nas zonas rurais nunca tiveram acesso aos serviços básicos de saúde. Conforme o estudo, a África tem os mais altos níveis de pobreza no mundo.

As maiores diferenças entre as zonas urbanas e rurais, no entanto, são vistas igualmente na Ásia. Na Indonésia, por exemplo, a porcentagem de pessoas não abrangidas por esses serviços é duas vezes maior nas áreas rurais do que nas cidades. Na Europa, as pessoas que residem em áreas rurais com menos acesso aos cuidados de saúde encontram-se na Itália, Grécia, em Andorra e Chipre, acrescenta a OIT.

O estudo da Organização Internacional do Trabalho mostra que, embora o acesso à saúde seja garantido por lei em muitos países, as pessoas em áreas rurais, muitas vezes, são excluídas da assistência à saúde, porque a lei não é aplicada nessas regiões. A situação é agravada pela falta de profissionais de saúde que atinge o mundo rural, pois, apesar de metade da população mundial viver naquelas áreas, apenas 23{4f38b4b7d8b4b299132941acfb1d57d271347fbd28c4ac4a2917fcb5fee07f0b} do pessoal de saúde trabalha lá.

A OIT estima que, em nível mundial, 10,3 milhões de trabalhadores estão sem assistência no setor da saúde. Segundo a organização, África e América Latina são as duas regiões onde a falta de profissionais de saúde é maior.

Como exemplo, a agência da ONU aponta a Nigéria, onde mais de 82{4f38b4b7d8b4b299132941acfb1d57d271347fbd28c4ac4a2917fcb5fee07f0b} da população rural é excluída de serviços de saúde devido ao número insuficiente de profissionais, contra 37{4f38b4b7d8b4b299132941acfb1d57d271347fbd28c4ac4a2917fcb5fee07f0b} dos que vivem nas cidades daquele país africano, o mais populoso de África, com 176 milhões de habitantes.

Veja também