Política

6/03/2015 | Luiz Mascarenhas

 

            O homem necessita da Política para viver em Sociedade.

            Hoje, lamentavelmente,  o nosso povo; não obstante o seu saber da importância da Política;  todavia,   diante da grave e crônica degeneração do mundo da Política,  perde –   a passos largos – o interesse e a crença nessa mesma Política.

            Assim sendo, torna-se um pouco  necessário rememorarmos os primórdios dessa longa jornada: como a Política começou?

            Ora, sem muito esforço intelectual e nem lançarmos mão de grandes embasamentos acadêmicos, podemos vislumbrar o nascedouro da Política acoplado  aos primeiros ajuntamentos humanos…isso lá na Pré-história; mesmo antes do Período Neolítico e do ser humano tornar-se sedentário, isto é,  fixado em determinado local, surgiram, com certeza, os primeiros lideres. E com certeza, eram os guerreiros mais fortes, mais bravos, mais ágeis e os mais espertos ( creio que essa virtude última  ainda não perderam…).                                                                                                                              A partir daí;  à medida  em que a Sociedade Humana  tornou-se  mais complexa em suas relações, a Liderança;  antes conquistada pela força bruta, viu-se obrigada a revestir-se de simbolismos e justificar-se de outras formas, mais ou menos inteligíveis.

            Mas, visitemos rapidamente  o Mundo Grego, para  entendermos  sobre o termo POLÍTICA e seus desdobramentos.  Lá na Grécia antiga, antes do Cristo; no berço de nossa civilização ocidental…A palavra POLÍTICA  tem origem nesses  tempos em que os gregos estavam organizados em cidades-estado chamadas “polis”, nome do qual se derivaram palavras como “politiké” (política em geral) e “politikós” (dos cidadãos, pertencente aos cidadãos), que estenderam-se ao latim “politicus” e chegaram às línguas europeias modernas através do francês “politique” que, em 1265 já era definida nesse idioma como “ciência do governo dos Estados”.

O termo Política é derivado do grego antigo πολιτεία (politeía), que indicava todos os procedimentos relativos à pólis, ou cidade-Estado.                                                  Feito este esclarecimento  quanto ao termo  Política em si;  junto  à Civilização Helênica e também após esta, analisemos em  outro aspecto.  Os  lideres ( com seus muitos  títulos que foram surgindo ao longo da História, como sintomaticamente o de rei ), pautaram -se principalmente  na religião – primeiramente pagã e depois cristã – para, através desta, buscarem ante os olhos do povo seu embasamento e legitimação: os “deuses” o escolheram para ser o rei…o que era avalizado pelos sacerdotes do templo. Já no mundo cristão, o mesmo se fez…que o digam Bossuet e Richelieu, com sua Teoria do Direito Divino…ora, o rei é rei pela vontade de Deus e fim de papo. O que, na prática, significava que ir contra o rei era levantar-se contra a vontade de Deus…havia até um dito popular :” Com Deus e o rei não se brinca, é respeitar e obedecer…” Um pensamento bem prático, não é mesmo? Principalmente para o rei… E, o mais curioso e interessante dessa História toda é que, passados séculos imbuídos nessas ideias, que, de repente, o próprio rei, nascido e educado nesse contexto também acreditava nisso.

            E, assim sendo, como ilustração, observamos cenas antológicas, como o rei de França, Luís XIV, o maior de todos os monarcas absolutistas, o “Rei Sol”, que no dia de sua coroação “tocou” em centenas de súditos….estes na esperança de serem “curados” pelo toque real…já que do manto do rei saía uma força que curava as pessoas… O imaginário popular via como milagroso o toque régio, fruto de um poder sacralizado por uma escolha divina. Isso é bem explicado pelo historiador alemão Ernst Kantorowicz que desenvolveu o conceito de “os dois corpos do rei”, que era humano pela sua natureza e divino por concessão da graça de Deus.

            Mas…deixemos  de lado a realeza, e retomemos  nosso tema central.

            Assim, observamos  uma vaga ideia de como a Política nasceu. Poderíamos estender um pouco mais, passando pela formação do Estado Moderno, após o final da chamada Idade Média, passando ali pelo Absolutismo e desaguando na Revolução Francesa…mas, deixemos isto para outra ocasião.

            Falamos de como a Política começou…mas, afinal, o que é Política?

            Podemos voltar na Grécia Antiga e buscar um conceito de Aristóteles: “ a Política é a ciência que tem por objeto a felicidade humana e divide-se em ética (que se
preocupa com a felicidade individual do homem na pólis) e na política propriamente dita (que se preocupa com a felicidade coletiva da pólis
)” . O objetivo de Aristóteles com sua Política é justamente investigar as formas de governo e as instituições capazes de assegurar uma vida feliz ao cidadão.

             É dispensável esmiuçar-se  o conceito aristotélico de Política…ele fala por si só…Porém, temos no decorrer da História, uma boa centena de conceitos para Política, passando por Maquiavel, Hobbes, Locke, Foucalt, Hannah Arentd, Bobbio…mas não vamos tornar isso um debate filosófico…nem interessa  ao leitor e nem caberia em um artigo de jornal…e longe de nós tornar o assunto mais maçante do que é…E tudo isso sem mencionarmos a Ética…Política deve vir de braços dados com a Ética…assunto que também dá pano pra manga…

            Uma vez, refletido como surge e o que é a Política, tomemos a partir daí a nossa realidade e a confrontemos com o conceito de Aristóteles. O que acontece se assim agirmos?

            Dizem que são as perguntas que movem o mundo, então…

            Como anda a nossa Política Barranqueira em Terras de Sant’ana do São João Acima?

            Temos aqui uma verdadeira Política, assentada na Ética e direcionada para o Bem Comum?

            Podemos afirmar que a nossa querida Itaúna possui hoje um Projeto Político visando sua estruturação no presente e preparando-a para o Futuro?

            O que queremos para nossa querida Itaúna?

            Quais seriam  hoje as principais demandas de nossa cidade?

            Como professor, forneço apenas as perguntas do questionário.

            A acuidade do leitor que se encarre de obter as respostas…

            Reflexões e debates sadios e éticos são bons e necessários para a existência saudável da Democracia.

            Como asseverei no início destas linhas…caminhamos para a festa da Páscoa. É tempo propício então para, à Luz dos Evangelhos, analisarmos os  todos  aspectos de nossas vidas, individualmente e coletivamente; no mundo da Política sobretudo,  pois estando em ano de eleições cabe a nós, como Educadores, orientar e oxigenar as ideias dos jovens que se deparam com o mundo da Política também. Não podemos deixa-los à mercê de  manipulações.  Queremos que sejam protagonistas de seu próprio futuro e não meros coadjuvantes dessa História.

            “O Homem é o sujeito da Política e da Economia, e não seu objeto” Papa João Paulo II.

            Saudações barranqueiras!

 

*Bacharel em Direito/

Licenciado em História

Pela Universidade de Itaúna.

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