Prefeitos de 30 cidades históricas de Minas cancelam folia

11/12/2021 | Minas Gerais

Representantes das cidades se reuniram em Ouro Preto – Foto Leandro Couri/ EM/ D.A Press)

 

 

Não há mais brecha para dúvidas: o tradicional carnaval de rua nas cidades históricas de Minas Gerais está cancelado em 2022. Secretários e prefeitos das 30 cidades da Associação das Cidades Históricas de Minas Gerais (ACHMG) decidiram nesta sexta-feira (10/12), por unanimidade, pela suspensão da folia.

 

Representantes desses municípios se reuniram hoje na Casa da Ópera em Ouro Preto, na Região Central de Minas Gerais, para discutir como serão realizados os grandes eventos em 2022, em especial o carnaval.

 

Em decisão unânime, as 30 cidades decidiram em não organizar e nem patrocinar o carnaval devido às incertezas de um novo surto de COVID-19, o que colocaria em risco todos os esforços para conter a doença em quase dois anos.

 

Impacto na economia 

 

A cadeia produtiva que pulsa sob os tamborins, composta pela hotelaria, setor de bebidas e alimentação, serviços e comércio, não ficará prejudicada – ao menos é o que afirma o presidente da associação, o prefeito de Itapecerica, Wirley Reis (Podemos). Ele argumenta que as cidades ficarão abertas para os turistas.

 

“Não vamos realizar e apoiar grandes aglomerações, mas cidades não estarão fechadas ao turismo. Vamos incentivar o turismo cultural, esportivo, cicloviário e rural, porque o turismo é primordial para o desenvolvimento das nossas cidades”, afirma.

 

Reis diz que o carnaval é, por natureza, uma grande aglomeração de pessoas e fica praticamente impossível fiscalizar o uso de máscaras e álcool em gel durante a folia.

 

“Não existe o distanciamento nessa festa. Então muito nos preocupa e, por isso, precisamos tomar uma decisão que possa beneficiar a economia e geração de renda na cidade e deixar que os municípios permaneçam abertos durante e após o período de folia”.

 

Região dos Inconfidentes

 

As prefeituras de Ouro Preto e Mariana se pronunciaram antes do encontro sobre a não realização do carnaval em 2022 devido à incerteza da evolução da pandemia.

 

O gestor interino de Mariana, Juliano Gonçalves (Cidadania), afirma que existem pessoas que defendem a realização do carnaval por causa do turismo e o aquecimento da economia de maneira geral. Mas ele sustenta que grande parcela da população é contrária à folia porque as cidades ainda não vacinaram 100% da população.

 

Gonçalves afirma que ainda está em fase de estudos pela Secretaria de Cultura e de Governo para ver a possibilidade de apoiar os artistas locais. “Neste ano, fizemos a Lei Manoel Costa Ataíde, que dá subsídios a esses artistas. Agora vamos estudar o que podermos fazer em 2022”, diz.

 

Para o vice-presidente da ACHMG, o prefeito de Ouro Preto, Angelo Oswaldo, a decisão de não ter o carnaval de rua nas ladeiras da cidade vem da preocupação sobre a suspensão do carnaval em Belo Horizonte, que deverá direcionar todos os turistas e foliões para as cidades do interior de Minas Gerais.

 

“A nossa incerteza em relação à pandemia é tão grande que nem o réveillon vamos realizar. Agora, com a não realização do carnaval em Belo Horizonte, imagine se houvesse um carnaval aqui. Correríamos um risco imenso de aglomeração e não podemos receber e nem acolher todo esse fluxo”, diz.

 

O prefeito de Ouro Preto afirma que a prefeitura ainda se posicionará, oficialmente, até o dia 15 de dezembro, após conversar com a Liga das Escolas de Samba e associação dos blocos. “Demos esse prazo para que todas as manifestações e ponderações de todos os setores aconteçam”. Mariana também promete se posicionar oficialmente em breve.

 

E os blocos? 

 

A Liga dos Blocos de Ouro Preto – composta pelos blocos universitários Cabrobó, do Caixão, Bloco da Praia e Bloco Chapado – permanecem vendendo os ingressos, alguns com 50% das vendas totais realizadas para pista.

 

“Já esperávamos o anúncio da não realização do carnaval de rua em Ouro Preto, não nos pegou de surpresa”, diz Arthur Carneiro, presidente do Zé Pereira e o Clube dos Lacaios, a agremiação carnavalesca em atividade mais antiga do Brasil, que completa 155 anos em 2022.

 

“Acredito que a prefeitura deverá fazer um carnaval em formato virtual, assim como foi em 2021 e a gente está organizando como o Zé Pereira vai trabalhar. A gente fica chateado por não apresentar, mas a saúde é um bem maior”

 

Arthur Carneiro conta que durantes o ano de 2021 a agremiação folclórica realizou outros eventos e, com isso, a estrutura do Zé Pereira está pronta, mas aponta que nem todos os blocos da cidade estão na mesma situação e dependem da realização do carnaval.

 

“Mas acredito que a todos vão participar da festa de forma virtual e segura aqui em Ouro Preto em 2022 e mantermos a esperança que em 2023 poderemos todos sair às ruas”.

 

Em Diamantina

 

O prefeito de Diamantina, Juscelino Roque (DEM), afirma que é difícil a decisão de não ter carnaval nas cidades históricas tradicionalmente preparadas para receber turista do mundo inteiro durante esse período.

 

“A gente até tinha anunciado que teria carnaval em Diamantina, mas na semana passada, em uma reunião com o Conselho Municipal de Enfrentamento à COVID-19, decidimos não ter nem o Réveillon nem o carnaval

como nos moldes como aconteceram antes da pandemia.”

 

O prefeito afirma que outras atividades vão acontecer durante o período com atividades esportivas, como passeios ciclísticos, e a cidade permanecerá aberta para a visitação dos turistas.

 

Saiba quais as cidades históricas onde não terá carnaval em 2022:

 

  • Brumadinho
  • Baependi
  • Barão de Cocais
  • Bom Jesus do Amparo
  • Conceição do Mato Dentro
  • Caeté
  • Catas Altas
  • Cataguases
  • Congonhas
  • Campanha
  • Diamantina
  • Itabira
  • Itabirito
  • Itapecerica
  • Januária
  • Lagoa Santa
  • Mariana
  • Nova Era
  • Ouro Preto
  • Ouro Branco
  • Paracatu
  • Pitangui
  • Prados
  • Santa Bárbara
  • Serro
  • São João del-Rei
  • São Thomé das Letras
  • Sabará
  • Santa Luzia
  • Tiradentes

 

 

 

Por Estado de Minas

 

 

 

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