Reflexões para o fim de ano

24/12/2014 | Itaúna

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ESCRITO POR Professor Luiz Mascarenhas

Eis  diante de nós o término  de 2014.

                O século XXI prossegue  dentro de sua segunda década,  no calendário gregoriano que utilizamos no Ocidente da Cristandade.

                E segue a nossa Vida…

                Um sentimento um tanto quanto inevitável,  envolto em  nostalgia, salpicado de saudade e de uma certa tristeza,  este que nos acomete, em algum momento  deste período de findar de ano. Aporta –nos um certo grau de consciência da finitude humana.

                Nos tornamos todos, mais sensíveis, mais reflexivos, mais introspectivos. É aquele momento  de avaliação de nós mesmos. Como se houvesse a necessidade  de mensurarmos a  qualidade de nossa existência.

                Existir não é tarefa fácil. Viver é uma arte que poucos conseguem. A maioria apenas sobrevive. Seguem a vida carregando  sobre os ombros pesados fardos  de conceitos e concepções que optaram  para si mesmos, por julgarem necessários ou – em pior situação – nem mesmo tem a consciência de que escolheram arrastar  vida afora as correntes ideológicas   herdadas do sistema.

                Situação ainda mais patética são os que passam a vida, tentando demonstrar para o outro, a justificação de suas crenças ou não crenças; quando na verdade, tudo que o fazem é apenas uma busca frenética  de seu auto convencimento;  daquilo que se propuseram pensar – mas que – no fundo – não tem muita certeza.

                Neste ponto e com muita cautela, compreendo e sintonizo com meu irmão Emanuel Braz de Mattos. Trata-se de questões de foro íntimo, sem dúvida,  mas que transpassam toda a realidade humana. E cada um de nós, trás o Universo dentro de si. Os que, por diversas razões e circunstâncias, adquirem certo grau de liberdade no exercício do pensamento, conseguem –mesmo que de forma obnubilada – percepções sutis que a grande maioria não exercita; também por dezenas de razões, motivos e circunstâncias.

                “Liberdade é para dentro da cabeça…” Liberdade é para o espírito humano.

                Tudo aquilo que acredito e cultuo, foi escolhido por mim; nada me foi imposto.  E se permaneço crente é porque consigo, vislumbrar e sentir em meu ser, essa Liberdade. Caso contrário, sou dotado de senso suficiente para negar ou retirar-me de onde não me sinto bem. Nada temo, a não ser eu mesmo – em termos de prejuízos para mim. Mesmo que o outro não consiga  perceber essa minha Liberdade; porque lhe é vedado o acesso ao meu íntimo.                                 Podemos utilizar Sartre para uma reflexão“Eu quero aderir a um partido, escrever um livro, casar-me, tudo isso são manifestações de uma escolha mais original, mais espontânea do que aquilo que chamamos de vontade. Porém, se realmente a existência precede a essência, o homem é responsável pelo que é.”

                Daí chegamos ao ponto…o que eu fui no decorrer do ano que se finda?

                Correspondi ao meu projeto? Fui coerente comigo mesmo? Fui fiel às minhas crenças? Porque do contrário, vem a frustração de não conseguir ser o eu que eu mesmo me propus ser. Desta constatação, afloram os sentimentos de decepção, desilusão,  fracasso, derrota…surgem as depressões, letargias, melancolia, e uma brutal queda em nossa auto- estima.

                Segue um conselho: Perdoe-se. Não carregue culpas para o novo ano.  Analise sim, cada situação. Utilize mais  a razão do que suas emoções. E então, exercite sua Fé, seja lá qual for. E, cabeça erguida, olhar  nas estrelas e pés no chão e siga seu caminho- escolhido por você.

                Temos uma tendência de pouco valorizarmos nossas conquistas e agigantarmos  nossos enganos, falhas e  derrotas…gostamos muito de remoer as mágoas contra nós mesmos, em pavoroso exercício de auto piedade e flagelação. Liberte-se!

                Porém, os términos supõe-nos outros inícios.

                Reinicie-se em 2015. Se és cristão, viva a Palavra: “Eis que eu renovo todas as coisas.” (Apocalipse 21:5). É o seu kairós batendo às portas!

                Se não professa credo algum, termino para todos os homens de boa vontade, com João Guimarães Rosa: “O correr da vida embrulha tudo. A vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem.”

                Desejo, de coração, a todos itaunenses, um Feliz e Santo Natal e um Ano Novo repleto de Paz e Bem!

 

                         

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