
Endividamento e transtornos mentais causados por apostas preocupam – Foto Waldemir Barreto / Agência Senado
Especialistas e representantes dos direitos do consumidor pedem o fim da propaganda de bets, as apostas online, com a participação de influenciadores, celebridades e atletas.
O alerta também é para os casos de vício, superendividamento, transtornos mentais e problemas familiares. O assunto foi tema de debate nesta terça-feira 07/7,no Senado.
A coordenadora do núcleo de defesa do consumidor da Defensoria Pública do Rio de Janeiro, Luciana Telles, destacou o impacto dos anúncios.
“Está em todos os lugares. Na televisão, em qualquer horário, sem nenhuma preocupação do público que está assistindo ou não, nos campos de futebol, nas placas publicitárias e, especialmente, no celular. Essa publicidade massiva ela quer convencer o cidadão que jogo é uma oportunidade de ganhar renda extra. Eu nunca vi perder dinheiro como opção de renda. Se o nome da coisa é jogo, o sobrenome é de azar.”
O defensor público de São Paulo, Marcelo Vivas, falou sobre o aumento de atendimentos à saúde mental e o impacto nos mais vulneráveis.
“O tema das bets tem chegado de diferentes formas e, muitas vezes, pelas famílias, na verdade, que chegam preocupadas e querendo alguma saída, né? Quando chega na gente na saúde é aquele desespero de mãe, esposa, filhos querendo saber o que pode fazer, como ajudar. Então, o grande público de aposta, de dependência em aposta, a gente tá aí pegando pessoas mais pobres, mais vulneráveis e, muitas vezes, mais jovens.”
Para a economista do Idec, o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor, Ione Amorim, o hábito de apostar já é uma realidade nas famílias.
“O que a gente gostaria mesmo é que fosse suspensa essa atividade. Então, as consequências, o impacto social, a tragédia humana dentro desse endividamento, dessa incapacidade do ser humano sair sozinho desse processo, a ruptura social, com a destruição de famílias, de lares, o impacto econômico, que é a maior dependência de crédito e o superendividamento em crescimento e, casos mais extremos, de pessoas que dão fim à própria vida por não conseguir driblar esse processo.”
O auditor de controle externo do Tribunal de Contas da União, Marcelo Chaves, fez um alerta sobre a publicidade com influenciadores.
“A continuar com essa publicidade massiva alcançando os jovens, né, os menores de idade, em horários inadequados, com facilidade de acesso nas plataformas, com a participação de celebridades, de influenciadores, essa ausência de uma prevenção vai colocar em xeque, certamente, todos os custos e a própria efetividade da política pública do SUS. Porque se não houver essa restrição à publicidade, vamos, vamos enxugar gelo, né?”
O gasto dos brasileiros com as bets ultrapassou R$ 30 bilhões entre 2023 e 2026.





