Vale já extinguiu 2.100 postos de trabalho em Minas

9/04/2015 | Minas Gerais

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Com o desaquecimento da economia, a indústria vem cortando postos de trabalho no país e em Minas Gerais. Itabira, na região Central do Estado, já sente o impacto da redução dos negócios da Vale, conforme o diretor de imprensa e comunicação do Sindicato Metabase de Itabira e região, Marcos dos Santos Oliveira. “O comércio está mais vazio”, diz.

De acordo com ele, são mais de 2.000 empregos dos terceirizados da mineradora que foram cortados. “Neste ano, que ainda está no começo, mais de 100 pessoas que trabalhavam diretamente na empresa perderam seus empregos”, diz.

Para Oliveira, a redução do emprego é fruto do baixo preço do minério de ferro. A cotação da commodity no mercado spot (à vista) na China – principal comprador do insumo – está em US$ 47 a tonelada. E considerando as despesas de frete, o preço do produto está bem próximo do custo de produção de grandes mineradoras.

Recentemente, analistas do Bank of America Merrill Lynch, afirmaram que o que pode estar no “menu” da Vale a esta altura – considerando o cenário difícil para os preços das commodities – é a venda de ativos e o corte de investimento de manutenção em 2015-2016 até o limite. Eles estimam potencial de US$ 1 bilhão a US$ 2 bilhões por ano, com implicações negativas sobre custos e qualidade de produto, além do não pagamento da segunda parcela de dividendos em 2015 – de US$ 1 bilhão em outubro.

Com um cenário nada animador para o minério de ferro, o diretor do sindicato teme que haja mais cortes nos empregos. Ontem, foi feita uma manifestação contra as demissões em frente à Câmara Municipal de Itabira. “Temos uma campanha que está envolvendo toda a sociedade, que se chama Reage Vale, Reage Itabira”, diz ele.

E não é apenas a mineradora que vem cortando postos de trabalho. Com a transferência da fábrica da Coca-Cola Femsa Brasil de Belo Horizonte para Itabirito, na região Central do Estado, que começou esta semana, 350 trabalhadores foram dispensados.

Setor automotivo. De acordo com a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea),a indústria automobilística brasileira eliminou 1.466 vagas em março. Após os recentes cortes e programas de demissão voluntária, o setor encerrou o terceiro mês do ano com 140.851 empregados – queda de 1{4f38b4b7d8b4b299132941acfb1d57d271347fbd28c4ac4a2917fcb5fee07f0b} na comparação com fevereiro, e recuo de 9,4{4f38b4b7d8b4b299132941acfb1d57d271347fbd28c4ac4a2917fcb5fee07f0b} ante o mesmo mês dE 2014. Com o resultado, o setor já demitiu 3.600 empregados em 2015. Apenas o segmento de autoveículos registrou retração de 0,8{4f38b4b7d8b4b299132941acfb1d57d271347fbd28c4ac4a2917fcb5fee07f0b} no número de empregados em março na comparação mensal, ao totalizar 123.017 funcionários. Em relação a março de 2014, a queda foi de 8,4{4f38b4b7d8b4b299132941acfb1d57d271347fbd28c4ac4a2917fcb5fee07f0b}.

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