NO AR AGORA

Rádio Santana FM

Itaúna, 20 de fevereiro de 2019

Foto: Internet/VOLTA ÀS AULAS

Prof. Luiz MASCARENHAS*

               A volta às aulas gerava a expectativa do novo. Como era gostoso o cheiro do material escolar! Os cadernos deveriam ser muito bem encapados (gostava de abri-los e cheirar suas folhas, assim como dos livros novos). Tudo era preparado com muito zelo, com muito capricho. Canetas, os lápis bem apontados, a caixa de lápis de cor, borracha, lapiseira, régua. Houve um tempo que precisei também de esquadros, compasso e transferidor. Uma pastinha e anos depois a mochila de lona.

No início dos estudos, o uniforme escolar. Calça de tergal azul marinho e a camisa do mesmo material, branquinha e com o escudo da escola no bolso. Sapato preto – muito bem engraxado da Vulcabrás (esse era um capítulo à parte: solado de borracha que assava os pés no calor e deixava as meias brancas amareladas). No colegial foi sempre assim. Só deixei o uniforme escolar quando da faculdade.

Havia expectativa até com relação aos professores. Aquela de matemática não! Deus me livre daquela “dona”… (risos). Idem da de Física (explicava muito mal e exigia demais). Ah, mas o de português era ótimo (temido; mas excelente); o de Química era engraçado. Tantos e tantas que deixaram suas marcas em mim, de alguma maneira.

Os anos se passaram e veio a faculdade. Nada mais de uniformes ou material escolar. Um tempo diferente, com cheiro de liberdade e horizontes se alargando.  No Direito era pitoresco ver os calouros usando terno e gravata no primeiro dia de aula (uns já se imaginavam magistrados). Na História, já mais maduro e ciente de minhas vocações, o tempo foi melhor aproveitado. Mas, gostei muito da minha formação. Me deu uma base sólida para o enfretamento da Vida.

Jardim de Infância “Ana Cintra”, Grupo Escolar “Augusto Gonçalves”, Escola Estadual de Itaúna, Colégio Santana e Universidade de Itaúna (em dois cursos). Esta foi a trajetória até o presente momento. Afinal, aprender é tarefa diária e de muitas formas e maneiras.

Nos dias que correm, infelizmente, falta o respeito. Respeito ao professor. E não é apenas por parte do aluno. Falta respeito ao professor por parte da Família. Falta respeito ao professor por parte dos Governos.  Falta respeito ao profissional da Educação por parte de seus próprios pares.  E também da parte de outros agentes que exercem funções diversas nas muitas repartições e departamentos dos Ministérios e Secretarias de Educação. Muito cacique pra pouco índio.

É preciso reumanizar a Educação. Sentir o outro. Ouvir o outro. Enxergar o outro. Colocar-se no lugar do outro. Estamos perdendo o sabor de tudo. Falta o bom tempero da compreensão e da fraternidade no cotidiano de nossas escolas. Há um atropelo burocrático passando por cima do essencial como um rolo compressor. Há um excesso de argamassa ideológica e burocrática que está engessando, sufocando e comprimindo o profissional da Educação. Formas muito estreitas, gaiolas muito apertadas. Educação é para libertação. Educação é processo de formação do ser humano. Não somos linha de produção de autômatos para servir ao sistema e nada mais. Não podemos ser o laboratório de testes infinito de teorias ou o repetir mecânico e massacrante de conteúdos programáticos frios e alijados da realidade do aluno. A escola precisa reinventar-se e com urgência. Retomar o primeiro amor. A escola é um dos lugares da Educação. Educação para uma melhor compreensão e entendimento do mundo em que vivemos. Educação para viver e conviver em sociedade. Se essa não for a meta, rumamos para o limbo.

Contudo e apesar de…eis de novo a volta às aulas. Há sete anos na gestão de uma escola pública do Estado. Muitos desafios. Inúmeras incongruências. Cada Governo que ascende ao Poder quer inventar a roda e surgem mil projetos enlatados ou confeccionados em seus arejados gabinetes longe da realidade da sala de aula. Alguns retornam repaginados e com novas nomenclaturas.  A grande maioria desses projetos “goela abaixo” das instituições que ficam à mercê da ideologia de quem está na vez do mando público. Uma imensa burocracia burra, emperrada, de se preencher inúmeros formulários de programas que no fim, nada somam, nada acrescentam na qualidade da Educação.

Contudo, sigamos o nosso caminho.

Eu sou Professor e tenho orgulho da minha profissão. Assim escolhi e assim me realizo.

Eu acredito na Educação.

Luiz Mascarenhas: presente!

 

 

*Bacharel em Direito / Licenciado em História pela UNIVERSIDADE DE ITAÚNA

Historiador/ Escritor/ Membro Fundador da ACADEMIA ITAUNENSE DE LETRAS/

Autor de “Crônicas Barranqueiras” e coautor de “Essências”, “Olhares Múltiplos” e

“O que a vida quer da gente é coragem”/

Diretor da E.E. “Prof. Gilka Drumond de Faria”

Cidadão Honorário de Itaúna

WordPress Appliance - Powered by TurnKey Linux